O FÉNIX E O EMPIRISMO. O CONHECIMENTO PELOS SENTIDOS

“Diz-me e eu esquecerei, ensina-me e eu lembrar-me-ei,  envolve-me e eu aprenderei.”

Provérbio chinês

 

Mais um encontro, mais um dia para pensar juntos! Em equipa nasce a proposta que depressa floresce e dá frutos!

Alicerçados no princípio que os alunos aprendem se envolvidos, despertamos a sua motivação. Percebemos que os alunos têm inerente a vontade de aprender (motivação intrínseca), acordámos a sua curiosidade (pedimos que se vestissem de preto e convidámo-los a serem “formigas” por um dia!). Surge assim o impulso para a aquisição de novas competências, há um desafio!

A sala de aula transformou-se, o cenário convidou os alunos a experimentar um certo grau de incerteza para activarem a “exploração”, iniciando o processo de aprendizagem. As pequenas “formigas” tinham um mundo para descobrir!

Ao encontrarem o baú dos cinco sentidos, abriram caminho à descoberta. Orientados pela “formiga rainha” (professora do Ninho), mantiveram ao longo do percurso o interesse pela “exploração”.

Com a abertura do baú retiraram uma fita que lhes indicou o sentido da visão. Este momento foi muito importante pois levou os alunos a perceberem que a “exploração” é significativa e que tem uma direção: A descoberta consciente dos sentidos.

Num abrir e fechar de olhos, a paisagem ia-se modificando. As “formigas” ficaram mudas de espanto! Primeiro passaram a estar numa praia, depois numa cidade, num deserto, numa montanha… viram o mar, prédios, dunas, neve, e viram, e viram, viram tudo o que os olhos podem ver!

A inquietação aumentava. Tantos instrumentos musicais à sua frente! Do baú saía nova fita, novo sentido, a audição. Que grande orquestra se formou! Tantos sons, tantos ritmos…

Quando o baú lhes mostrou mais um sentido, o tacto, as plantas ficaram como que forradas de penas e os troncos das árvores apresentavam-se rugosos. As “formigas” tocaram e sentiram as “coisas”!

A seguir chega o olfacto, e os cheiros eram tão variados que todas as “formigas os quiseram sentir melhor! Apareceu o perfume do sabonete, o cheiro das ervas aromáticas, o aroma da laranja, do limão, o cheiro do vinagre, do alho…das pipocas!

As pequenas “formigas”  sentiram fome!

E a arca do tesouro dos cinco sentidos fez-lhes a vontade: apresentou-lhes o paladar. Foi uma festa! As formigas saborearam coisas doces, salgadas, amargas, ácidas…

O “formigueiro” foi descobrindo que os cinco sentidos são um grande tesouro!

As surpresas ainda não tinham acabado. Do baú saiu um espelho. Todos admiraram a sua imagem e disseram: mais importante do que ver, ouvir, tocar, cheirar e saborear, é sentir. Sentir como é bom ter um tesouro dos cinco sentidos dentro de nós!

Com os sentidos chegámos à perceção da realidade. A experiência do vivido foi fundamental  na compreensão dos conteúdos. As actividades facilitaram o desenvolvimento do pensamento crítico. Os alunos, as nossas pequenas “formigas”, questionaram, argumentaram, aplicaram, jogaram, demonstraram, … compreenderam que, o que cada um conhece, começa com os sentidos!

 

Cristina Pereira

A.E. Dr. António Augusto Louro – Seixal