Sobre uma Educação para a Cidadania Ativa

 

É possível definir algumas orientações para uma Educação para a Cidadania ativa, com incidência nos domínios – institucional e pedagógico: fomentar um ambiente escolar participativo; favorecer o estudo, o reconhecimento e o respeito das diferenças; redefinir as competências dos participantes e os estilos de representação; criar espaços de debate e de discussão; conceber o projeto educativo de escola, segundo uma matriz participativa. Ao nível do quotidiano pedagógico, uma Educação para a Cidadania ativa deve orientar o processo de ensino e de aprendizagem segundo uma lógica de «empowering» dosalunos, levando-os a fazer escolhas e a tomar decisões, conduzindo-os a considerar o impacto das suas decisões nos outros, «treinando» técnicas e promovendo capacidades de resolução de problemas, favorecendo o trabalho cooperativo e criando oportunidades de ganho de consciência, ou seja, «(…) aos alunos é oferecida a possibilidade de alcançar consciência de si, olhar-se como um ser humano integral, sentir-se que com a ajuda do Outro, pode e deve envolver-se na edificação de um mundo melhor (…)» (Gonçalves, 2006:108).
Estas «orientações», mais do que um receituário adicionável a tantos outros, pretendem apenas humildemente pontuar um discurso e desafiar a imaginação pedagógica dos professores/educadores. Pontuar um discurso, assinalando as balizas de uma possibilidade: a de uma Educação para a Cidadania, resgatadada ganga ideológica que a confunde com endoutrinação ou disciplinação social, promotora de consciências críticas e orientada numa perspectiva de mudança e desenvolvimento. Desafiar a imaginação pedagógica, permitindo a construção de espaços educativos firmados na utopia realizável de uma outraescola em torno dos direitos e deveres sociais. Neste caso, a escola representa a esperança e aparece-nos «como uma força que se dirige para o futuro, uma meta, uma visão daquilo que poderá ser, daquilo que poderemos realizar (…) e que devemos per- seguir com a nossa vontade, assumindo os riscos» (Alberoni, 2002:19). Vamos começar, aqui e agora.

Daniela Gonçalves